O pessoal que é mais das antigas na cena rock n’ roll e heavy metal nacional vai lembrar com bastante carinho dos festivais Roça N’ Roll em Varginha, Minas Gerais, e o BMU – Brasil Metal Union em São Paulo.
Os festivais supriram uma lacuna no mercado brasileiro, visto que faltavam eventos de música pesada com infraestrutura bacana. Por anos, eles foram o destino de milhares de headbangers que faziam questão de prestigiar as bandas nacionais, principalmente.
Em recente conversa com o apresentador Manoel Santos, do Ibagenscast, o vocalista do Tuatha de Danann, Bruno Maia, lembrou como foi começo do Roça N’ Roll. Para quem não sabe, Bruno é um dos idealizadores do festival.
“O Roça N’ Roll virou um evento muito grande; ele ficou de um tamanho que eu nunca imaginei que pudesse chegar. Eu nem teria condições materiais e mentais para poder fazer. Mas ele começou como uma festa normal. A gente não tinha onde tocar, e nós tínhamos acabado de lançar o nosso primeiro disco.
Tínhamos que fazer um agito para poder colocar a banda para tocar. Então, eu e um amigo fizemos esse evento na roça, mas era um trem sem nenhuma pretensão. Custava três reais, e tinha pinga e salsicha de graça, pra você ver que cangaço. Mas quem entrasse no festival tinha salsicha e pinga à vontade.
Mas, com esse trem do boca a boca, veio muita gente; veio pessoas de outras cidades, inclusive. E não tínhamos internet para divulgar, não, era colando cartaz na rua. Aí, fomos fazendo outras edições e o festival foi crescendo.
Nós chegamos ao ponto de receber milhares de pessoas, gente do Brasil inteiro. Tivemos bandas gringas. Virou uma realização muito importante aqui na região e para o cenário. O festival tinha um certo idealismo; nós nunca tivemos a intenção de fazer um Monsters Of Rock só com bandas grandes.
A ideia era ter um espaço bom para as bandas alternativas mostrarem seus sons em um palco bom e com som bom. A medida que o festival foi crescendo, precisamos trazer bandas maiores para poder manter público. Aí, teve Angra, Grave Digger e a galera toda. E foram dezenove anos de festival”.
Veja a fala completa de Bruno Maia neste player: