Bush enche o coração dos fãs de alegria com show saudosista no Rio de Janeiro

Para quem viveu o auge da MTV no Brasil, que foi na década de 1990, pôde curtir em primeira mão bandas como Bush, Stone Temple Pilots, Nirvana e Pearl Jam, que eram as novidades da cena musical rock n’ roll. É claro que muita gente torceu o nariz para tais grupos, mas, mesmo assim, houve uma parcela considerável da audiência que chancelou a faceta sonora noventista. 

O tempo passou, a maioria dessas bandas encerraram as atividades por motivos mil – morte de integrante ou briga por grana foram as razões que mais se sobressaíram nas contendas. Os nomes que ainda conseguiram permanecer de pé nutrem até os dias de hoje um carinho desses fãs de outrora.

O show do Bush na capital fluminense, que rolou na última quarta-feira, 02, no Vivo Rio, foi a prova desta máxima. O público majoritariamente na casa dos quarenta anos para cima, ou seja, audiência cativa da MTV em tempos passados, fizeram barulho o suficiente para deixar Gavin Rossdale (vocal e guitarra), Chris Traynor (guitarra), Corey Britz (baixo) e Nik Hughes (bateria) com o sorrisão no rosto e rasgando elogios aos cariocas.

Foto: Livia Teles / RockBizz

A explosiva Everything Zen começou a festa noventista em tom nada manso, e fora a primeira representante do debute multiplatinado Sixteen Stone, que saiu em novembro de 1994, nos últimos suspiros do amado/odiado grunge. Sem medo de queimar largada e gastar os hits no comecinho da festa, Machinehead fez a plateia viajar no tempo com o seu refrão pegajoso.

E para provar que conseguia manter a empolgação a níveis elevados com os sons mais novos, o quarteto sacou Blood River, de The Kingdom, da cartola, canção de seu oitavo registro de estúdio, de 2020. Já a comunicação com os fãs só veio antes de The Chemicals Between Us, na qual Rossdale se mostrou feliz pelo considerável quórum da noite.

O Bush se beneficia de um fenômeno não raro na música, que é a elevação do poderio sonoro em ambiente ao vivo. Até mesmo as parte mais contemplativas e morosas de algumas canções ganham essencial picância e intensidade, o que deixa o ânimo do público mais a flor da pele.

O triste, contudo, foi perceber a aguda inserção de faixas de apoio e playbacks para que Gavin soasse como um rouxinol ou algo do gênero. A tática é um estelionato artístico, visto que não condiz com os méritos próprios do artista. Além disso, mais vale um erro honesto do que um acerto falso, e foi lamentável constatar que Gavin e companhia não pensam assim.

As faixas de apoio e playbacks, todavia, não pareceram incomodar os fãs, pois vibraram bastante ao som da trinca Quicksand, Greedy Fly e Identity. Com o jogo ganho, o galã quase sexagenário segurou a onda de Swallowed sozinho no palco para o delírio do parcela feminina da galera.

Foto: Livia Teles / RockBizz

A veia rock n’ roll voltou no trio final, o qual foi composto por Heavy Is the Ocean, Flowers on a Grave e Little Things. A breve saída de praxe do palco foi só para os mais afoitos comprarem a última cerveja e se prepararem para os últimos atos da noite.

More Than Machines realçou ainda mais o uso de playbacks por parte do frontman, o que pareceu não ser um problema para ao público pagante. No hit Glycerine, Gavin tirou uma onda com a sua Fender Custom Shop Jazzmaster, a qual abrilhantou a festa com o timbre característico de seu captador Lollar P-90 Jazzmaster.

Para fechar a noite com chave de ouro, Comedown, terceiro single de Sixteen Stone, lavou a alma dos cariocas que não se importaram de sair de casa no meio da semana para prestigiar o evento.

Dito isto, para o bem ou para o mal, o Bush está lendo o espírito do tempo, no qual muitas bandas e artistas pouco se importam para o teor humano e ao vivo da apresentação, pois o mais importante é entreter os fãs, e isso o conjunto fez deveras bem na última noite.

Foto: Livia Teles / RockBizz

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